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Entrevista com Laura M. Castelhano, Pscicóloga e Coordenadora Geral do Instituto Amigos do Emprego.
1- Desde quando existe e qual é a proposta do Instituto Amigos do Emprego?
A idéia de criar um espaço de discussão sobre a situação do desemprego em nossa sociedade, nasceu da união de pessoas com visões de conhecimento diferentes: economistas, psicólogos, administradores, etc, mas com experiências e vivencias direcionadas para o mesmo problema: o desemprego. O grupo existe desde 2004 e tem como proposta, contribuir com o Governo e com a Sociedade, por meio de programas de discussão e apoio, ações que visem à discussão, à pesquisa e ao apoio para o problema do desemprego.
2- O Instituto desenvolve algum trabalho que possa facilitar a inserção no mercado de trabalho?
Nossas atividades estão sendo direcionadas à pesquisas para desenvolver e aprimorar técnicas de reinserção. Neste ano nos dedicamos a estudar as políticas hoje realizadas no Brasil e programas para desempregados realizados por outras instituições, e assim, compará-las com experiências em outros países, como Canadá, EUA e França. Estamos também oferecendo palestras, cursos e seminários, para incentivar a discussão com os vários parceiros sociais. O nosso objetivo é, primeiramente, conscientizar a sociedade e sensibilizar o governo para o problema, desenvolver e divulgar os resultados de nossas pesquisas, e conseguir a implantação de projetos direcionados para o público em questão. É necessário ter uma proposta com dimensão política, social e psicológica do problema. E isso só se desenvolve com muito estudo, pesquisa e a implantação de projetos pilotos.
3- Que tipo de orientação o Instituto presta para quem está fora do mercado?
Nossa meta a curto prazo é implantar o programa de “FORMAÇAO DE CONSELHEIROS”. É um programa complexo que está em fase final de desenvolvimento, e que envolve a capacitação e a formação de profissionais para o apoio local ao desempregado, beneficiando diretamente o cidadão desempregado sem ajuda - para este programa estamos procurando parceiros. Em paralelo continuaremos com o desenvolvimento de pesquisas e projetos pilotos de outros programas que também vão ter como foco principal o desempregado.
4- Falta emprego no mercado ou falta qualificação profissional para preencher as vagas?
Acredito que essa é uma das grandes discussões que a sociedade precisa provocar. Dizer que falta qualificação profissional para o preenchimento de vagas é direcionar todos os programas, principalmente aqueles desenvolvidos com verbas do FAT, à qualificação de desempregado, e isso não resolve o problema. Não há uma relação tão causa e efeito quanto se parece, existe uma serie de fatores que envolvem o problema do desemprego e não é só um fator, político, ou econômico ou cultural, é um problema que está bem mais relacionado à estrutura do emprego em nossa sociedade e dizer que falta emprego, ou qualificação seria simplista demais.
5- Recentemente o Instituto realizou uma pesquisa para descobrir quais os sentimentos que evidenciam as pessoas demitidas. Que conclusões foram tiradas dessa pesquisa?
Realizamos essa pesquisa com o apoio da BPI do Brasil (consultoria francesa especializada em processos de reestruturação e apoio aos demitidos), que nos forneceu acesso e dados dos profissionais que participaram dos processos de reinserção. Todos os profissionais (1883 pessoas) que participaram da pesquisa eram oriundos, em sua maioria, de grandes empresas. Os resultados nos mostraram que grande parte dos profissionais sentiram-se culpados pela perda do emprego, ocasionando um forte impacto psicológico nas pessoas demitidas. A pesquisa serviu como alerta para as empresas e para as pessoas que tendem a banalizar o problema do desemprego, achando que o processo de demissão pode ser feito de qualquer maneira, ou que aquilo que o desempregado sente não significa nada, ou ainda mais, que ele está desempregado por que assim quis. A responsabilidade social que as empresas tanto divulgam, não pode ficar somente no papel ou no plano do discurso. Deve-se ter uma ação concreta, e tratar o problema de maneira séria e responsável.
6- As empresa estão preocupadas com a auto-estima das pessoas, na delicada hora da demissão?
É difícil responder essa perguntar sem generalizar. Acho que algumas pessoas dentro das empresas estão preocupadas, mas mesmo esses que são preocupados não tem preparo necessário para lidar com o problema. A comunicação e a forma como ocorrem os processos de demissão ainda são precários, como também a forma que ocorrem as contratações e a forma como se estabelece a relação do indivíduo com a empresa. Enfim, é um problema que precisa ser debatido e discutido, sem que o grande vilão da historia torna-se o profissional demitido.
O instituto "Amigos do Emprego" é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, reconhecida como de utilidade pública, que possui uma proposta diferente de atuação.
Nossa proposta é contribuir com o Governo e com a Sociedade, por meio de programas de discussão e apoio, conduzindo ações que visem a discussão, a pesquisa e o apoio ao problema “desemprego”.
Idealizado por pessoas sensibilizadas com a atual situação de desemprego, o Instituto Amigos do Emprego pretende desenvolver um espaço de discussão com todos os parceiros sociais envolvidos e empenhados na busca por alternativas para o problema, contribuindo para a realização de pesquisas direcionadas ao desemprego, apoiando políticas públicas de geração de trabalho e renda e criando programas de apoio ao desempregado.
Isso se dá por meio de palestras, cursos, campanhas, seminários, congressos, sempre voltados ao desenvolvimento de oportunidades de trabalho e renda, implantação e gestão de empresas, entre outro, além do aprimoramento do exercício da cidadania e da responsabilidade social.
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8/9/2010
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